O atraso de Rosalba

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Uma das marcas da gestão da ex-prefeita Micarla de Souza foi o fato de chegar atrasada em compromissos oficiais.

Algumas vezes, até com 2 horas após o horário marcado para o início dos muitos eventos, cerimônias e reuniões às quais um chefe de poder necessita comparecer por força de sua responsabilidade político-administrativa.

Lembrei agora dessa característica da antiga gestão municipal por causa de uma notícia que li na Tribuna do Norte de sábado, na página de política, assinada pela jornalista Anna Ruth Dantas, seridoense de boa formação e descendência.

Pois bem, atenciosa que é, Anna Ruth registrou em seu texto o atraso de meia hora da governadora Rosalba Ciarlini na reunião que trataria de um dos assuntos mais comentados no ambiente político no Estado: a crise de poderes entre o Executivo, o Judiciário, o Legislativo, Ministério Público e Tribunal de Contas.

Crise séria, motivada por dinheiro.

Ultimamente, Rosalba vem sendo comparada com Micarla, por causa dos índices de rejeição de seu governo.

Os desembargadores, procuradores, deputados e conselheiros estão insatisfeitos com o Governo Rosalba, por acharem que estão sendo constrangidos no momento da transferência dos recursos do orçamento.

O Executivo tem o dinheiro mas não repassa. É o que acusam.

A reunião de sexta-feira era para aparar arestas, cada qual expor seus argumentos e, dentro do possível, construir o consenso.

Mas, o atraso da governadora, peça chave nessa negociação toda, deixou pelo menos duas autoridades em estado de “chá-de-cadeira”, o Procurador Geral de Justiça ( autoridade capital que tem, entre suas prerrogativas, acusar criminalmente os mais altos políticos estaduais – inclusive pedindo a prisão deles, se necessário), e o Presidente do Tribunal de Contas, que, com uma canetada, pode jogar na lista dos inelegíveis qualquer político que, com um deslize de contabilidade, tenha se incluído na lei da ficha limpa.

Dar chá-de-cadeira em quem quer que seja é uma prática deselegante. Maltrata e gera antipatia. Fica sempre um saldo negativo que pode ser cobrado lá na frente.

Dar chá-de-cadeira no Procurador Geral de Justiça e no Presidente do Tribunal de Contas é mais do que deselegante. É temerário.

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